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harmonização de cerveja (ou, novas nuances de uma velha conhecida)
mai 10th, 2010 by Maria

Este post faz parte do especial Cerveja e Comida – Harmonização de Cerveja Especial, uma iniciativa Bierboxx e Botecagem com diversos blogs e sites oferecendo dicas de harmonizações perfeitas de cervejas especiais, artesanais e importadas com o melhor da gastronomia/culinária, toda semana. Acompanhe!


harmonizacao 03_1 pq

Na adolescência somente os destilados agradavam meu paladar. Cerveja era muito amarga. Até que num belo dia ensolarado, no auge dos meus 18 anos, lá estava eu, no topo de uma das muitas dunas de Itaúnas, deslumbrada com a paisagem que se revelava à minha frente: uma imensidão de areia e mar ornada por uma cadência de quiosques rústicos de madeira com redes estendidas. Naquele dia, encantada por pertencer àquela paisagem cheia de calor, experimentei pela primeira vez o prazer que pode estar contido dentro de uma cerveja gelada.

Os anos se passaram e esse prazer permaneceu comigo. Mas durante esse tempo a cerveja esteve associada à praia, aos tira-gostos ou à um copinho antes do almoço nos finais de semana. Só muito recentemente, numa conjunção de habitante de São Paulo, aumento de poder aquisitivo e interesse pela gastronomia, é que comecei a experimentar as “cervejas especiais” e naturalmente elas me mostraram que podiam continuar à mesa mesmo depois do prato principal servido. Não atrapalhavam nem empapuçavam. Não, pelo contrário, elas enriqueciam a experiência.

Foi nessa altura que o universo fez com que a Ana, do Cozinha de Idéias, intuísse esse meu momento de descobertas e fizesse contato me convidando para fazer um post com uma receita harmonizada com cerveja. Isso foi para mim uma alegria por ser a cerveja uma bebida muito mais condizente com a nossa cultura que o vinho, mas também um desafio, já que não tinha qualquer embasamento téorico. Mas o fato da cerveja estar na mesa dos botecos da periferia e também na dos restaurantes dos Jardins parece tornar essa tarefa mais fácil; é como se já houvesse uma intimidade, uma relação estabelecida.

Comecei escolhendo a cerveja pela qual ando apaixonada, a Baden Baden Golden Ale, uma cerveja com adição de canela e sabor levemente adocicado. Só então me detive no que eu cozinharia para harmonizar.

Para a entrada arrisquei o sabor forte de um canapé com brioche levemente crocante com queijo de cabra cremoso, geléia de cereja negra e um detalhe de rúcula. E a sensação que tive foi da Golden Ale refrescando e limpando meu paladar, deixando-o pronto para novamente saborear o canapé.

Para o prato principal algo me disse que ela ficaria deliciosa acompanhando um spaghetti com frutos do mar. Apostei então na cumplicidade entre bebida e comida preparando o molho com um pouco da própria cerveja e um acréscimo de canela e ambos se entenderam perfeitamente durante um saboroso almoço de domingo.

harmonizacao principal

Concordam comigo que um almoço num domingo ensolarado combina muito mais com uma cerveja que com um vinho?! E a isso acrescente uma importante informação: pelo preço de um vinho mediano você compra de uma a duas garrafas de uma boa cerveja. E então, vamos juntos nos aventurar por essa nova gama de sabores?!

Ingredientes para duas fartas porções
200 gramas de spaghetti ou talharim
3 tentáculos de polvo
2 lulas limpas e cortadas em anéis
10 camarões cinza limpos e sem casca
2/3 copo de cerveja Baden Baden Golden Ale
½ cebola
½ xícara de salsinha picada
3 dentes de alho espremidos
1 limão
1 pimenta caiena sem semente
3 pitadas de canela
manteiga
queijo parmesão ralado
sal a gosto

Modo de fazer
Comecei preparando o polvo (se quiser cozinhá-lo inteiro, a receita desde o peixeiro está aqui) assim: lave-o com água corrente e bata seus tentáculos contra uma superfície lisa (pode ser a bancada da pia) para soltar grãos de areia que eventualmente estejam nas cavidades. Lave novamente em água corrente. Acomode-o numa panela junto com a ½ cebola, tampe e coloque em fogo médio. Aqui levou 30-40 minutos para ficar pronto. A cebola e o polvo soltarão água suficiente para o cozimento mas se precisar acrescente água. Retire do fogo quando estiver macio e só então acrescente um pouquinho de sal. Coloque-o num prato e deixe esfriar.
Pinguei umas gotinhas de limão na lula e nos camarões, passei uma água na panela e voltei com ela pro fogo médio para prepará-los: coloque uma farta colher de manteiga e quando ela estiver derretida acrescente os camarões. Quatro minutos serão suficientes para que eles fiquem bem rosados; na metade desse tempo vire-os para que cozinhem por igual. Salpique um pouco de sal e reserve-os. Volte com a panela pro fogo, coloque mais uma colher de manteiga e quando derreter junte os anéis de lula. Mais quatro minutinhos e uma pitada de sal. Reserve-as.
Coloque água para ferver com sal para cozinhar a massa. Em paralelo, volte com aquela mesma panela pro fogo, acrescente mais uma colher de manteiga, junte o alho espremido e a pimenta picada. Em seguida coloque a cerveja e a canela, abaixe o fogo e deixe reduzir um pouco. Roube umas colheradas da água que está cozinhando o macarrão e junte ao molho. Escorra a massa e coloque-a junto com os frutos do mar no molho aquecido. Sirva na hora com queijo parmesão ralado por cima.

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como aprendi a gostar de café espresso (ou pela Argentina com pouca grana)
set 24th, 2009 by maria

dezembro de 2003. lá estávamos nós, minha irmã e eu, desembarcando em Buenos Aires para um passeio de uma semana. nessa época, o café mais gostoso do mundo era o que a minha mãe fazia, coado e mais conhecido como “chafé”. café espresso era horrível, amargo, nem pensar!
novas e com pouco dinheiro, chegamos felizes da vida numa Argentina recém quebrada que nos possibilitava ficar hospedadas num confortável hotel três estrelas com um farto e bem preparado café da manhã. na noite de Natal até em Puerto Madero jantamos sem grandes preocupações com o lado direito do cardápio! mas uma coisa logo no primeiro dia chamou minha atenção: o preço da água mineral! não me perguntem porquê mas o fato é que custava caro e eu, que bebo água o dia todo, fiquei assombrada com isso. e se alguém está pensando “fácil, era só comprar no supermercado e andar por aí com a garrafinha”, vou logo me adiantando, concordo. mas não pensei nisso naquele momento. no entanto, logo notei que o café espresso, além de barato e presente em toda e qualquer esquina de Buenos Aires, vinha acompanhado de um generoso copo de água com gás (minha predileta!) e de um sempre delicioso e diferente biscoitinho. resultado, ao invés de pedirmos água passamos a pedir espresso. e como não gosto nem um pouco de desperdício, bebia o forte cafezinho sem sequer saber que estava sendo servida por um povo que tira um espresso com muita competência. o primeiro eu provavelmente devo ter deixado pela metade, o segundo, honestamente não lembro, mas o último, esse sim tenho certeza que bebi até o final, curtindo cada pedacinho de sabor que um bom espresso é capaz de nos presentear.
moral da estória? nada como um empurrãozinho das circunstâncias para enxergarmos o entorno de maneira completamente nova. e o café da minha mãe não mais me agradou. mas aos poucos ela também aprendeu a gostar de café forte e mudou os hábtos. e hoje, bem ali na minha cozinha, há aquela querida máquina de espresso, sempre pronta para me fornecer um delicioso e saudável café.

cerveja para quem gosta de champagne
set 6th, 2009 by Maria

Hoje experimentei a cerveja uruguaia Patricia. Gostosa, levinha… mas não é sobre ela que quero falar; ela apenas me lembrou que não compartilhei com vocês algo que adorei.

Na sexta passada fui ao Santa Gula, na Vila Madalena, São Paulo. Havia uma pequena fila de espera e o hostess sugeriu que aguardássemos no Bar do Santa, bem ao lado. Lá encontramos uma carta de cerveja. Na dúvida (é tão comum esse lugar para mim…) pedi ao garçom que indicasse uma cerveja para quem gosta de champagne (champagnes e espumantes são minhas bebidas preferidas, mas também adoro uma boa cerveja). Foi então que ele sugeriu a Baden Baden Golden Ale. Deliciosa! Uma cerveja delicada, levemente adocicada e com um suave cheiro de canela. Essa foi a minha experiência quando experimentei e acabei de comprovar minha percepção no site do fabricante. Inclusive, vale uma visita. Além da história de como nasceu essa cervejaria artesanal e da descrição dos produtos, há também uma seção com receitas que levam cerveja. deguste com moderação. Ou não!

chá assim ou chá assado?
set 3rd, 2009 by Maria

cha de saquinho

“Os apreciadores de chá afirmam que o melhor tipo é o de folhas soltas”. Essa afirmação me remeteu à minha mãe, que também adora chá mas toma o de saquinho sem cerimônia ou pesar. Já eu, só tomo o de saquinho se não houver outra opção. E ainda assim penso duas vezes. Mas afinal, há alguma outra diferença além do sabor e do aroma definitivamente mais acentuados nos chás de folhas soltas? Passeei por algumas páginas e gostei do texto do site howstuffworks, que disponibilizo abaixo, editado por mim.

O chá de folhas soltas é colhido e processado, enquanto o chá de saquinho costuma ser produzido pelo método CTC (cortar, triturar, concentrar). e o fato de ser triturado faz com que ele perca vários nutrientes. Outra questão é que, segundo os especialistas, para obtermos o máximo do sabor e dos nutrientes do chá, é necessário mais espaço e circulação de água para as folhas se expandirem e se desenrolarem. O que não é nada fácil num chá de saquinho, já que o chá fica “preso entre duas paredes”. mas o chá de saquinho tem as suas vantagens: o preparo é mais cômodo e mais barato.
E o preparo, influencia?
Sim! A maioria das pessoas não presta atenção na água enquanto está preparando o chá, mas a temperatura em que o chá é feito pode afetar sua qualidade. A água usada para preparar o chá preto é a única que deve ser completamente fervida a uma temperatura em torno de 93ºC. O chá de oolong costuma ser preparado com água aquecida a uma temperatura um pouco mais baixa (cerca de 88ºC, quase fervendo) e os chás verdes e brancos são feitos em água fumegante ou com uma temperatura em torno de 77ºC. O tempo de infusão também varia dependendo do tipo de chá: os pretos e brancos ficam de 4 a 5 minutos em infusão, o de oolong fica de 3 a 4 minutos e o verde pode ficar apenas de 30 segundos a 2 minutos.

Quanto a mim, pode ser mais cômodo, pode ser mais barato, mas nada disso conta na hora daquele primeiro golinho, cheio de vapor e de aconchego. Quer um chazinho?

com gostinho de final de semana
ago 15th, 2009 by maria

quem não ama um café com leite na padaria? pra mim café com leite ou capuccino servido na padoca, como chamamos aqui em São Paulo, sempre foi um objeto de desejo. até que um dia, há anos atrás, ganhei da amiga Letícia um misturador multiuso. nesse momento descobri que a espuma estava ao alcance das minhas mãos! e da sua também!
o preço é super acessível, de r$7 a r$50, funciona com duas pilhas e pode ser encontrado em supermercados e em lojas de eletrodomésticos.
e para completar essa receita, basta acrescentar o café que mais gosta e pronto: o café com leite com gostinho de final de semana é todo seu, todas as manhãs!

aproveitando, me diga, qual o seu café preferido?
fotos produtos: fabricantes

do ócio ao risoto de camarão
ago 7th, 2009 by maria

Às vezes, na verdade com muita frequência, tenho desejos súbitos. E incontroláveis! rs
ontem enquanto estava na manicure, num misto de sono e ócio (criativo!), pensava que naquela noite queria mesmo era um bom jantar em casa, só com meu Antonio. Naquele ponto a questão se tornou “o que será esse jantar”? Então lembrei que trouxera camarões rosa de Vitória, fresquinhos… que tinha arroz arbório em casa, que amo queijo de cabra… e o pensamento finalizou esse risoto com raspinhas de casca de limão. E um bom espumante para acompanhar e brindar à vida e à possibilidade de uma sexta à noite em casa, deliciosa.

Desde já peço desculpas por não colocar quantidades, mas quando a receita sai da cabeça, as quantidades acontecem aos poucos, na hora, e no fim das contas nunca consigo contabilizar… dessa receita para dois, as únicas medidas que tenho certeza são três punhados de arroz, 200 gr de camarão rosa sem casca, uma taça de espumante e raspas de 2/3 de limão. Mas vamos lá!

Antes de mais nada, quando comprar o camarão, peça as cascas e cabeças. Esprema um pouquinho de limão sobre o camarão e reserve. Refogue cebola, cascas e cabeças, acrescente água, uns dois dentes de alho e um pouco de sal, tampe a panela e reduza o fogo mantendo-o bem baixo. Depois de bastante tempo, quando o caldo estiver saboroso, retire do fogo, coe e conserve em fogo baixo.
Numa frigideira com quase nada de manteiga e em fogo médio, coloque o camarão. Espere rosar de um lado e vire. Coloque uma pitada de sal e retire do fogo quando estiver rosa dos dois lados.
Noutra panela, refogue cebola picada na manteiga e quando estiver translúcida, acrescente o arroz. Mexa até que esteja brilhante, envolto com a manteiga. Acrescente o espumante e mexa até que evapore. Aí entra o caldo, sempre aos poucos e mexendo com frequência. Evaporou, coloque um pouco mais e siga assim até que o grão esteja al dente. Nesse momento acrescente os camarões, o queijo de cabra ralado e as raspas de casca de limão* e misture brevemente. Desligue o fogo e tampe a panela por dois minutos. Agora é só servir!

(*) Eu usei raspas do limão tahiti mas acho que com limão siciliano ficará ainda mais especial.

Detalhes importantes:
- tem que ser arroz arborio pois esse tipo solta mais amido (e é isso que dá a consistência do risoto)
- não lave o arroz
- a qualidade do caldo é decisiva, o ideal é fazê-lo em casa e esquecer que caldo pronto existe
- acrescente o caldo aos poucos
- mexa
- o risoto deve ficar úmido e o arroz al dente
- sirva quente

eSpresso ou eXpresso?
ago 6th, 2009 by Maria

Há poucos dias fiz essa pesquisa. Amo um bom café e?presso mas quando precisei escrever descobri essa dúvida. Descobri também que vários sites e blogs explicam, mas para mim, a melhor e mais bem humorada explicação foi a que o professor Pasquale deu numa entrevista para o Jornal do Café. Publico aqui alguns trechinhos e, para os mais curiosos ou interessados pelo assunto, o link para a entrevista.

Com a palavra, professor Pasquale:

Recorramos ao grande dicionário italiano Garzanti e vejamos o que a obra diz em “espresso”: Diz-se de alimento ou bebida que se prepara na hora, a pedido do cliente. Exemplos: “piatto espresso” e “caffè espresso”.

Mas estamos no Brasil, portanto em português o café rápido, feito na hora, em belas máquinas italianas, só pode mesmo ser “expresso”, com “x”, já que – não custa repetir – na nossa língua não temos a palavra “espresso”.

Agora, cá entre nós (e que ninguém nos ouça), gosto mesmo é de um “espresso”, legítimo, tomado, de preferência, na Itália. Sim, na Itália, porque lá não preciso descabelar-me para pedir um café encorpado, curto, pleno de sabor e de aroma.

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