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nhoque de batata com manteiga, sálvia e camarões
jun 10th, 2010 by Maria

nhoque de batata 01

O nhoque faz parte da minha vida desde a infância. Com avô italiano, minha avó prepara desde sempre um nhoque levíssimo e famoso na família. E provavelmente por tê-lo carinhosamente servido a cada passagem por Muqui, nunca me habilitei a aprender. Mas mudei de estado e a farta mesa da minha vó Lucy ficou mais distante… E isso me pareceu um sinal de que era hora de saber fazê-lo na minha própria casa!

Os italianos dizem que não há medida certa pro nhoque, que temos que “sentir” a massa. Mas fiquei um pouco insegura se a parcela de sangue italiano que corre em minhas veias saberia reconhecer esse ponto e tratei de buscar uma receita. Li duas nos meus “livros de cabeceira” e uma no Vamos Cozinhar (que tem um vídeo ótimo ensinando o passo-a-passo). E dessas três saiu a receita que escrevo abaixo.

Foi mais fácil e menos trabalhoso do que eu imaginava. E recomendo como um delicioso programa a quatro mãos, sejam elas amigas ou namoradas. Boa diversão e bom apetite!

nhoque de batata com camarao

Ingredientes para quatro porções (prato principal)
600 gramas de batata asterix
150 gramas de farinha de trigo
80 gramas de queijo parmesão ralado
duas gemas
sal, pimenta do reino e noz moscada a gosto

Ingredientes para o molho
100 gramas de manteiga
250 gramas de camarão cinza limpo
5 dentes de alho espremidos os picados pequeninos
10 folhas de sálvia
um pouco da água do cozimento do nhoque
algumas gotas de limão
sal a gosto

Modo de fazer o nhoque
Coloque as batatas com casca em um panela, cubra-as com água, coloque um pouco de sal e leve ao fogo até que estejam macias (espete um garfo, se entrar com facilidade estão prontas). Escorra a água e tão logo consiga manuseá-las, retire a casca e esprema ou amasse-as. O importante de descascá-las e amassá-las ainda quente é facilitar a evaporação e deixar a batata menos úmida (e assim precisaremos de menos trigo e o nhoque ficará mais leve). Deixe esfriar num tabuleiro ou numa bancada. Misture as gemas, o queijo, o sal,a  pimenta e a noz moscada e, aos poucos, o trigo. Sinta a textura e coloque um pouco mais ou um pouco menos de trigo pois a umidade da batata e do ambiente influenciarão nessa quantidade. Quando a massa estiver homogênea, salpique trigo na bancada de trabalho e com porções pequenas faça cilindros rolando a massa pra frente e pra trás (como as minhocas que fazíamos
na infância com massinha). Corte os cilindros em pedaços de +/- 3 cm e aí estarão seus nhoques!

nhoque modelando Foto do livro Chefs – Segredos e Receitas, da Editora Melhoramentos.

Eu passei no garfo para gerar cavidades que permitem maior aderência do molho. Isso é opcional mas se quiser, faça assim: segure um garfo invertido com uma das mãos; com o polegar da outra mão, pressione o pedaço de massa contra contra os dentes do garfo, ao mesmo tempo rolando a massa para formar estrias e uma concavidade na parte interna.

Agora é colocar a água no fogo com um pouco de sal. Quando levantar fervura, coloque alguns nhoques e espere até que subam à superfície. Retire-os com uma escumadeira e disponha-os numa travessa (eu coloquei no escorredor de macarrão). Quando todos estiverem prontos, reserve um pouco da água do cozimento e vamos ao molho!
Envolva os camarões sem casca e já limpos com o alho espremido e umas gotinhas de limão. Aqueça uma frigideira grande e coloque um pouco de azeite ou manteiga. Acrescente os camarões, conte uns dois minutinhos e vire-os. Retire os camarões da frigideira quando estiverem rosados e reserve. Volte com a frigideira para o fogo baixo, derreta a manteiga e acrescente as folhas de sálvia. Junte um pouco da água do cozimento da massa e observe como a manteiga derrentida se tornará cremosa. Acerte o sal, junte os camarões e coloque o nhoque na frigideira. Envolva-o bem com o molho e sirva em seguida. Na mesa, um bom vinho e queijo parmesão ralado na hora!

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spaghetti al limone

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harmonização de cerveja (ou, novas nuances de uma velha conhecida)
mai 10th, 2010 by Maria

Este post faz parte do especial Cerveja e Comida – Harmonização de Cerveja Especial, uma iniciativa Bierboxx e Botecagem com diversos blogs e sites oferecendo dicas de harmonizações perfeitas de cervejas especiais, artesanais e importadas com o melhor da gastronomia/culinária, toda semana. Acompanhe!


harmonizacao 03_1 pq

Na adolescência somente os destilados agradavam meu paladar. Cerveja era muito amarga. Até que num belo dia ensolarado, no auge dos meus 18 anos, lá estava eu, no topo de uma das muitas dunas de Itaúnas, deslumbrada com a paisagem que se revelava à minha frente: uma imensidão de areia e mar ornada por uma cadência de quiosques rústicos de madeira com redes estendidas. Naquele dia, encantada por pertencer àquela paisagem cheia de calor, experimentei pela primeira vez o prazer que pode estar contido dentro de uma cerveja gelada.

Os anos se passaram e esse prazer permaneceu comigo. Mas durante esse tempo a cerveja esteve associada à praia, aos tira-gostos ou à um copinho antes do almoço nos finais de semana. Só muito recentemente, numa conjunção de habitante de São Paulo, aumento de poder aquisitivo e interesse pela gastronomia, é que comecei a experimentar as “cervejas especiais” e naturalmente elas me mostraram que podiam continuar à mesa mesmo depois do prato principal servido. Não atrapalhavam nem empapuçavam. Não, pelo contrário, elas enriqueciam a experiência.

Foi nessa altura que o universo fez com que a Ana, do Cozinha de Idéias, intuísse esse meu momento de descobertas e fizesse contato me convidando para fazer um post com uma receita harmonizada com cerveja. Isso foi para mim uma alegria por ser a cerveja uma bebida muito mais condizente com a nossa cultura que o vinho, mas também um desafio, já que não tinha qualquer embasamento téorico. Mas o fato da cerveja estar na mesa dos botecos da periferia e também na dos restaurantes dos Jardins parece tornar essa tarefa mais fácil; é como se já houvesse uma intimidade, uma relação estabelecida.

Comecei escolhendo a cerveja pela qual ando apaixonada, a Baden Baden Golden Ale, uma cerveja com adição de canela e sabor levemente adocicado. Só então me detive no que eu cozinharia para harmonizar.

Para a entrada arrisquei o sabor forte de um canapé com brioche levemente crocante com queijo de cabra cremoso, geléia de cereja negra e um detalhe de rúcula. E a sensação que tive foi da Golden Ale refrescando e limpando meu paladar, deixando-o pronto para novamente saborear o canapé.

Para o prato principal algo me disse que ela ficaria deliciosa acompanhando um spaghetti com frutos do mar. Apostei então na cumplicidade entre bebida e comida preparando o molho com um pouco da própria cerveja e um acréscimo de canela e ambos se entenderam perfeitamente durante um saboroso almoço de domingo.

harmonizacao principal

Concordam comigo que um almoço num domingo ensolarado combina muito mais com uma cerveja que com um vinho?! E a isso acrescente uma importante informação: pelo preço de um vinho mediano você compra de uma a duas garrafas de uma boa cerveja. E então, vamos juntos nos aventurar por essa nova gama de sabores?!

Ingredientes para duas fartas porções
200 gramas de spaghetti ou talharim
3 tentáculos de polvo
2 lulas limpas e cortadas em anéis
10 camarões cinza limpos e sem casca
2/3 copo de cerveja Baden Baden Golden Ale
½ cebola
½ xícara de salsinha picada
3 dentes de alho espremidos
1 limão
1 pimenta caiena sem semente
3 pitadas de canela
manteiga
queijo parmesão ralado
sal a gosto

Modo de fazer
Comecei preparando o polvo (se quiser cozinhá-lo inteiro, a receita desde o peixeiro está aqui) assim: lave-o com água corrente e bata seus tentáculos contra uma superfície lisa (pode ser a bancada da pia) para soltar grãos de areia que eventualmente estejam nas cavidades. Lave novamente em água corrente. Acomode-o numa panela junto com a ½ cebola, tampe e coloque em fogo médio. Aqui levou 30-40 minutos para ficar pronto. A cebola e o polvo soltarão água suficiente para o cozimento mas se precisar acrescente água. Retire do fogo quando estiver macio e só então acrescente um pouquinho de sal. Coloque-o num prato e deixe esfriar.
Pinguei umas gotinhas de limão na lula e nos camarões, passei uma água na panela e voltei com ela pro fogo médio para prepará-los: coloque uma farta colher de manteiga e quando ela estiver derretida acrescente os camarões. Quatro minutos serão suficientes para que eles fiquem bem rosados; na metade desse tempo vire-os para que cozinhem por igual. Salpique um pouco de sal e reserve-os. Volte com a panela pro fogo, coloque mais uma colher de manteiga e quando derreter junte os anéis de lula. Mais quatro minutinhos e uma pitada de sal. Reserve-as.
Coloque água para ferver com sal para cozinhar a massa. Em paralelo, volte com aquela mesma panela pro fogo, acrescente mais uma colher de manteiga, junte o alho espremido e a pimenta picada. Em seguida coloque a cerveja e a canela, abaixe o fogo e deixe reduzir um pouco. Roube umas colheradas da água que está cozinhando o macarrão e junte ao molho. Escorra a massa e coloque-a junto com os frutos do mar no molho aquecido. Sirva na hora com queijo parmesão ralado por cima.

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risoto de camarão

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o polvo

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o peixe assado da Bete
out 6th, 2009 by Maria
vim passar uma semana em Vitória, minha terrinha quente e querida. toda vez que venho para cá fico distante da cozinha mas encaro uma agenda repleta de deliciosos compromissos, afinal, meus pais e meus amigos, assim como eu, adoram se reunir em torno de uma mesa. então, nesta semana, publicarei dicas e receitas que não testei, mas que assino embaixo de olhos fechados! e para começar vamos ao almoço de hoje, um clássico presente em todas as minhas vindas: peixe assado com farofa de camarão da Bete (ou Bernadete, para os menos íntimos).
Bete trabalha há anos na casa do meu pai e é uma cozinheira de mão cheia. o peixe de hoje era budião mas também já comi com namorado e com peroá (porquinho para os paulistanos). e a receita é muito simples!

ingredientes
peixe inteiro, limpo por dentro
camarão pequeno
farinha de mandioca
azeite
manteiga, azeite ou óleo para a farofa
óleo para untar
alho
cebola
tomate
salsinha
coentro
limão (opcional)
sal

modo de fazer
tempere o peixe com sal, azeite e pouco alho. envolva-o com papel laminado e coloque-o em uma panela de barro untada com óleo. leve ao forno.
enquanto isso, prepare um molho com tomate, coentro, cebola e salsinha, tudo picado bem pequenininho. refogue brevemente e reserve.
noutra panela, comece a fazer a farofa dourando alho em manteiga, óleo ou azeite (o que preferir). acrescente e frite o camarão. coloque um pouco do molho reservado e acrescente a farinha de mandioca. acerte o sal.
quando o peixe estiver quase pronto, abra o papel laminado, regue o peixe com o molho reservado e mantenha-o um pouco mais no forno para evaporar o caldo.
sirva com arroz branco e uma boa pimenta. ah, e se sobrar molho (aquele reservado), acrescente um pouco de água, um fio de azeite, uma pitada de sal e uma gotinhas de limão e leve-o pra mesa pra temperar a salada e o peixe. fica uma delícia!
outra possibilidade é usar a farofa para rechear o peixe. para isso, prepare-a antes e recheie a barriga do peixe antes de levá-lo para o forno.
do ócio ao risoto de camarão
ago 7th, 2009 by maria

Às vezes, na verdade com muita frequência, tenho desejos súbitos. E incontroláveis! rs
ontem enquanto estava na manicure, num misto de sono e ócio (criativo!), pensava que naquela noite queria mesmo era um bom jantar em casa, só com meu Antonio. Naquele ponto a questão se tornou “o que será esse jantar”? Então lembrei que trouxera camarões rosa de Vitória, fresquinhos… que tinha arroz arbório em casa, que amo queijo de cabra… e o pensamento finalizou esse risoto com raspinhas de casca de limão. E um bom espumante para acompanhar e brindar à vida e à possibilidade de uma sexta à noite em casa, deliciosa.

Desde já peço desculpas por não colocar quantidades, mas quando a receita sai da cabeça, as quantidades acontecem aos poucos, na hora, e no fim das contas nunca consigo contabilizar… dessa receita para dois, as únicas medidas que tenho certeza são três punhados de arroz, 200 gr de camarão rosa sem casca, uma taça de espumante e raspas de 2/3 de limão. Mas vamos lá!

Antes de mais nada, quando comprar o camarão, peça as cascas e cabeças. Esprema um pouquinho de limão sobre o camarão e reserve. Refogue cebola, cascas e cabeças, acrescente água, uns dois dentes de alho e um pouco de sal, tampe a panela e reduza o fogo mantendo-o bem baixo. Depois de bastante tempo, quando o caldo estiver saboroso, retire do fogo, coe e conserve em fogo baixo.
Numa frigideira com quase nada de manteiga e em fogo médio, coloque o camarão. Espere rosar de um lado e vire. Coloque uma pitada de sal e retire do fogo quando estiver rosa dos dois lados.
Noutra panela, refogue cebola picada na manteiga e quando estiver translúcida, acrescente o arroz. Mexa até que esteja brilhante, envolto com a manteiga. Acrescente o espumante e mexa até que evapore. Aí entra o caldo, sempre aos poucos e mexendo com frequência. Evaporou, coloque um pouco mais e siga assim até que o grão esteja al dente. Nesse momento acrescente os camarões, o queijo de cabra ralado e as raspas de casca de limão* e misture brevemente. Desligue o fogo e tampe a panela por dois minutos. Agora é só servir!

(*) Eu usei raspas do limão tahiti mas acho que com limão siciliano ficará ainda mais especial.

Detalhes importantes:
- tem que ser arroz arborio pois esse tipo solta mais amido (e é isso que dá a consistência do risoto)
- não lave o arroz
- a qualidade do caldo é decisiva, o ideal é fazê-lo em casa e esquecer que caldo pronto existe
- acrescente o caldo aos poucos
- mexa
- o risoto deve ficar úmido e o arroz al dente
- sirva quente

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